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"Desde que o Mundo é Mundo": reflexões sobre corpo e gênero

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"Desde que o Mundo é Mundo": reflexões sobre corpo e gênero

21 jul - 2022 • 20:00 > 04 ago - 2022 • 22:00

 
Videoconferência via Sympla Streaming
Evento encerrado

"Desde que o Mundo é Mundo": reflexões sobre corpo e gênero

21 jul - 2022 • 20:00 > 04 ago - 2022 • 22:00

 
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Descrição do evento

PROPOSTA DO CURSO:

O curso “Desde que o mundo é mundo: reflexões sobre corpo e gênero” nasce a partir da ideia comumente expressa na frase “as coisas são assim desde que o mundo é mundo”, usada diversas vezes para tentar encerrar ou interditar a discussão de assuntos complexos centrados principalmente nas temáticas de corpo e gênero. Desde quando este mundo generificado, no qual somos inseridos quando nascemos, é ou está assim?

Mantendo um tripé temático em cada aula, os encontros tem como proposta central nos confrontar e nos mover a lugares de tensionamento. A ideia é que este movimento reflexivo nos auxilie na construção de um olhar interseccional mais apurado acerca dos discursos de corpo e gênero que nos atravessam enquanto corpos latinos.

Dividido em 3 encontros, no primeiro partimos das reflexões de Thomas Laqueur sobre o modelo de sexo único da Europa e de sua transição para uma noção de sexo biológico binário no século XVIII. Quais eram as movimentações por trás desta mudança? Por que os embates sociais, pela disputa de poder, foram postos no campo da natureza, transformando o corpo em uma arena de tensão e produção de determinados discursos?

Na segunda parada, o objetivo é compreendermos como a colonização europeia carregou para as Américas e para a África a noção binária de sexo/gênero, impondo as categorias “homem” e “mulher” em culturas nas quais elas não existiam. Refletiremos sobre o processo que os colonizadores construíram, cooptando homens colonizados como cúmplices, para que os povoados ginocêntricos começassem a se hierarquizar, a se tornar dependentes das instituições dos brancos e a serem liderados por homens.

E encerramos o curso trazendo para o debate a urgência das reflexões sobre as masculinidades, discutindo sobre os seus dilemas contemporâneos e processos de dominação e submissão. Também com base nos estudos sociológicos de Connel compreenderemos as noções de masculinidade hegemônica, cúmplice, subordinada e marginal. Analisaremos como a masculinidade dominante tem se tornado um produto nas prateleiras do capitalismo e quais são os riscos em torno das noções de “masculinidade saudável”, “novo homem” e “nova masculinidade”.

Este são temas que não se esgotam, mas nessa oportunidade poderemos dar os primeiros passos para a construção de estratégias nesta arena de tensão que é a disputa dos discursos sobre corpo e gênero.


AULA 1. As invenções sobre o corpo: corpo, gênero e natureza

No final do século XVIII uma noção binária de sexo biológico foi inventada na Europa e nos atravessa até os dias de hoje. Esta aula parte do “modelo de sexo único”, no qual a mulher era compreendida cientificamente como um corpo homem “imperfeito” e “invertido”, e percorre um caminho que nos aponta como as noções BIOLÓGICAS, inventadas como NATURAIS, são produtos da cultura impregnados de relações de gênero. O corpo se transformou em uma arena de disputa e o avanço científico acabou sendo movido também pelo desejo de validar subordinações entre o homem e a mulher. Os discursos sobre perfeição, Deus e a Ciência construíram, neste período histórico, um triângulo de produção de dados científicos que tentou forjar na natureza as hierarquias sociais.


AULA 2. De “selvagens” a “humanos”: corpo, gênero e colonialidade

O colonizador europeu carregou para as Américas e para a África a sua noção binária de sexo/gênero e impôs este sistema sobre corpos que viviam outras configurações de funcionamento social nas quais as categorias “homem” e mulher” eram inexistentes. A partir das discussões de María Lugones sobre a colonialidade de gênero e o pensamento de Geni Núnez, Oyèrónkẹ Oyěwùmí, Nego Bispo e Paula Gunn Allen, percorremos um caminho refletindo a estrutura do sistema colonial de gênero fundada em raça, sexualidade, classe e gênero, o conceito de humano, a transição violenta dos povoados ginocêntricos para patriarcais, a invenção da “mulher iorubá”, o imaginário colonizador e a cumplicidade colonial entre os homens.


AULA 3. Entre viados e machos: corpo, gênero e masculinidades

Atualmente celebramos as muitas formas de ser homem, mas não pontuamos como isso também é uma denúncia do sistema de dominação e submissão entre estes sujeitos. A partir dos estudos de Raewyn Connell, nesta aula refletiremos sobre os conceitos de masculinidade hegemônica, cúmplice, subordinada e marginalizada. Discutiremos os riscos das noções de “masculinidade saudável”, “novo homem” e “nova masculinidade”. E também compreenderemos como a masculinidade dominante é um produto à venda nas prateleiras do capitalismo, sempre disposto a produzir frustrações, construir desejos de consumo, realizar concessões e negociações para se manter em um lugar dominante.


FACILITADOR:

Andrio Robert Lecheta, morador de Mandirituba (PR), é formado em Produção Cênica (UFPR) e também é mestre e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPR. A sua pesquisa é atravessada pelas discussões sobre corpo, gênero e masculinidades estando alocada na linha de pesquisa LiCorEs – Linguagem, Corpo e Estética na Educação e vinculada à Diálogos – Rede Internacional de Pesquisa. No mestrado, a sua discussão partiu de olhares sobre as masculinidades do campo e no doutorado a sua tese é construída a partir das masculinidades dos atores de teatro amador. Integrante do grupo de pesquisa Labelit – Laboratório de Estudos em Educação, Linguagem e Teatralidades (UFPR/CNPq), além da construção de artigos e capítulos de livro, mantem um projeto de posts no Instagram (@andriorobert) discutindo masculinidades a partir de recortes como raça, classe, sexualidade, política, educação, cinema, religião, publicidade e etc.


REFERENCIAIS:

Inventando o Sexo: Corpo e gênero dos gregos a Freud – Thomas Laqueur
História da Virilidade II – O triunfo da virilidade do século XIX – Alain Courbin
Masculinidades - Raewyn Connell
Desistência de Gênero - Geni Núnez  (@genipapos)
No mês do orgulho, que tenhamos o direito a não querer ressignificar as mitologias coloniais do gênero - Geni Núnez (@genipapos)
Das confluências, cosmologias e contracolonizações. Uma conversa com Nego Bispo - Greice Martins, Henrique Junio Felipe, Natacha Simei Leal, Suz Evany Lima da Silva
Colonialidade e gênero – María Lugones
A invenção das mulheres: Construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero - Oyèrónkẹ Oyěwùmí

INFORMAÇÕES:

  • Curso online ao vivo via Zoom
  • Dias: 21/07, 28/07, 04/08 (quintas-feiras)

  • Horário: 20h00 às 22h00

  • Valor: 100 reais + 10% taxa sympla até o horário da primeira aula, 110 reais + 10% taxa sympla após o início do curso

  • As aulas acontecerão ao vivo, mas ficarão gravadas durante um mês após a finalização para quem não pôde assistir

  • A cada inscrição realizada, será aberta uma vaga de bolsa para aqueles que não puderem arcar com o custo integral. Para fazer o pedido de bolsa, acesse: https://forms.gle/7GimtNdrdLFPA1V9A

Em caso de qualquer dúvida, entre em contato pelo instagram @odesencaixe ou mande um e-mail para [email protected]

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O Desencaixe é um projeto que busca incentivar a autonomia do pensar e do fazer de forma crítica e com consciência social. Os cursos oferecidos são sempre em parceria com pesquisadores críticos e responsáveis com domínio dentro de sua área e a proposta é que possamos promover uma troca de aprendizados mútuos entre todos os participantes e colaboradores, acreditando que todos são capazes de formular suas próprias conclusões, questionamentos e conexões. Acompanhe no Instagram: @odesencaixe

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