06 jun - 2021 • 19:00 > 06 jun - 2021 • 22:00
06 jun - 2021 • 19:00 > 06 jun - 2021 • 22:00
Com a direção de Nelson Baskerville, as atrizes trazem suas questões mais íntimas e urgentes em solos teatrais online criados no isolamento de suas casas, durante a pandemia. Algo em comum parece estar em ebulição entre essas oito criações: a vida em seus pequenos detalhes contrastada com a urgência da morte. É uma crônica desse confinamento interminável, com tudo que mais grita dentro de cada um destes artistas. Tripas e coração emaranhados como raízes, trazendo à tona a crueldade humana e a falta de comunicação. Buscam o luto e as relações atávicas para entender e, por que não, mudar esse mundo.
Os solos acontecem ao vivo, um seguido do outro, nessa ordem:
Barba Azul, de Ligia Fonseca
A peça se passa em um programa televisivo de culinária, onde a apresentadora começa a contar, através dos ingredientes e modo de preparo da receita, a história ancestral “barba azul”. Trata-se, na verdade, de um pano de fundo para revelar uma relação de abuso sofrida por ela. Os ingredientes têm os nomes dos personagens do conto, que, por sua vez, estão no lugar dos personagens reais da história vivida. Cada parte do conto conta um pouco mais sobre o que ela, até então, escondia.
Maria Velata, de Maria Eduarda Pecego
Uma Maria dentre tantas da mesma família. Em comum, elas têm o silenciamento da voz e do corpo nesse mundo onde reina soberano o patriarcado. Querendo afastar qualquer indício de semelhança, qualquer possibilidade de ser (mais uma) Maria, a atriz dança outra mulher possível, como uma Dakini, uma das figuras mais ancestrais que simboliza a Mulher Selvagem.
Nomes Sobre Mim, de Ricardo Nash
O bullying na escola e seus possíveis desdobramentos, quando aquele que sofreu bullying se torna adulto e pai. O autor/ator revisita momentos da infância e juventude e traz à tona também a relação com seu pai e sua mãe.
Eu sou negra?, de Pri Calazans
Uma breve melancolia da avó paterna e sobretudo das dores guardadas dentro de gavetas reabertas na pandemia. O pensar nos ancestrais, nos olhares, nas formas, no silêncio de um corpo que supera o mito da fragilidade, possui uma marca de estereótipo e exclusão.
O embranquecimento de uma trajetória em confusão com a própria existência.
Eu sou negra é um resgate da própria existência, através do pensamento espirituoso de uma avó que odiava preto.
Cortei o Dedo, de Tamara Maria Cardoso
Memórias de infância, temperadas com sentimentos e angústias, onde o estado de confinamento é a única opção de liberdade. No entanto, o passado é uma herança da qual não se pode abdicar.
A vida é sonho ou o contrário?, de Júlia Ianina
Em março de 2020, um dia antes de entrar em isolamento social, Julia Ianina perdeu sua mãe. Dentro de casa, em uma noite estranhamente longa, a atriz relata a vertigem de sua experiência de luto em confinamento.
Romã, de Carolina Borelli
Sobre uma mulher que converte a memória em um corpo que sangra e dança, na tentativa de reconciliação com a maternidade. A náusea da filha é reconhecida na náusea da mãe: os sonhos abortados de ambas. Deméter, Perséfone. E o gosto de Campari na boca.
Mãe, eu sobrevivi!!!, de Estrela Straus
Hoje Estrela chegou aos 36 anos, a famigerada idade com a qual sua mãe se jogou da janela no dia seguinte ao seu décimo primeiro aniversário. Numa tão sonhada visita, Estrela recebe sua mãe em seu apartamento e conta a ela sobre as transformações no mundo desde então e sobre como a arte foi o caminho que a resgatou desde criança dessa tragédia.
Ficha Técnica
(das) tripas (coração) - solos em confinamento
Direção: Nelson Baskerville
Criação: Lígia Fonseca, Maria Eduarda Pêcego, Ricardo Nash, Pri Calazans, Tamara Maria Cardoso, Júlia Ianina, Carolina Borelli e Estrela Straus.
Operação técnica: Diego Rodda
Arte Gráfica: Nelson Baskerville, Juliana Poggi e elenco
Produção: Lígia Fonseca
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Ligia Fonseca
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