O espetáculo Criança viada ou de como me disseram que eu era gay, solo de Vinicius Bustani, também autor do texto, com direção e dramaturgia de Paula Lice, volta para curta temporada em 2026 no Teatro Gamboa.
Na criação do texto, Vinicius partiu de experiências pessoais para falar de um tema comum que é a LGBTfobia vivida por crianças e adolescentes. “A peça é a partilha de um processo que se deu há mais de vinte anos e, mesmo com todas as mudanças e avanços que tivemos nesse âmbito, encontrou eco e sentido em adolescentes e jovens em 2018. Não acho que muita coisa tenha mudado desde então”, comenta o ator.
E foi ancorada na percepção de que o projeto se mantém relevante e se mantém capaz de abrir vias de diálogo e reflexão que a equipe decidiu voltar aos palcos. “A LGBTfobia é um mal social extremamente enraizado, assim como o machismo e o racismo. Nossa peça vai direto nesse ponto. Então, seguirá conversando, principalmente com a homofobia internalizada que, às vezes, só nos damos conta através da arte”, complementa Paula.
“Salvador nos deu régua e compasso. Voltar a ela reanima nossa fé e contribui para a mobilização da cena alternativa, isenta de patrocínios, da qual nascemos e que, neste caso, nos acolheu calorosamente”, comenta a diretora. Vista por mais de cinco mil pessoas em seis temporadas em teatros e diversas apresentações em instituições de ensino e centros culturais de Salvador. O espetáculo também passou por Belo Horizonte, São Paulo e Dourados (MS).
“Eu gosto de elaborar aquilo que me inquieta através de um olhar poético, é como se conseguisse me comunicar e expressar melhor assim. ‘Criança Viada’ surgiu a partir do desejo de elaborar uma ferida muito profunda, mas sobretudo de compartilhar essa experiência com outras pessoas por entender que a homofobia que atravessa e corrompe tantas infâncias e juventudes é um problema de ordem social e nada melhor do que o teatro como ferramenta de elaboração e transformação coletiva”, explica o ator. “Hoje faço o espetáculo de um outro lugar, mais maduro talvez. Minhas inquietações pessoais são outras, mas a obra segue viva e pertence ao público. E ainda precisamos, sim, de muito diálogo sobre esse e tantos outros temas. E o diálogo com os divergentes sempre foi uma aposta, e acredito que mais do que nunca, como sociedade, é preciso reaprender a dialogar”.
Ficha Técnica
Texto e atuação: Vinicius Bustani
Direção e dramaturgia: Paula Lice
Produção: Tais Bichara
Direção de arte: Lia Cunha e Tiago Ribeiro
Direção musical: Heitor Dantas
Desenho de Luz: Larissa Lacerda
Identidade visual divulgação: Gil Maciel
Assessoria de Comunicação: Daniel Silveira