Fale com o produtor

Corpos aleijados, temporalidade capitalista

15 jan - 2026 • 19:00 > 12 fev - 2026 • 20:30

Evento Online via Zoom
Parcele em até 12x

Corpos aleijados, temporalidade capitalista

15 jan - 2026 • 19:00 > 12 fev - 2026 • 20:30

Evento Online via Zoom
Parcele em até 12x

Descrição do evento

Corpos aleijados, temporalidade capitalista

Coordenação: C. C. Coelho*


*Psicanalista e filósofo, professor do PPGFil-UERJ, membro do EBEP-Rio e pós-doutorando em Psicologia Social na UERJ, pesquisando sobre deficiência, temporalidade crip e teoria queer.

Curso online - 5 encontros semanais - início 15/01/2026 a 12/02/2026

Horário: quintas-feiras, 19h às 20h30

Ementa:

O curso propõe uma travessia entre teoria crip, teoria queer e psicanálise, tendo como eixo o livro Feminist, Queer, Crip, de Alison Kafer. Partindo da crítica à temporalidade neoliberal e ao corpo biomédico, discutiremos como os discursos sobre capacidade, normalidade e saúde se enraízam em regimes de tempo, desejo e violência estrutural.

Interessa-nos pensar o crip time (tempo aleijado) — um tempo que se dobra, falha, hesita e se reconfigura — como forma de resistência ao imperativo produtivo da modernidade capitalista. A partir de Alison Kafer, Robert McRuer, Donna Haraway, Catherine Malabou, Berenice Bento e Lélia Gonzalez, o curso articula corpo, deficiência, raça e desejo, interrogando formas de vida não subordinadas à norma biomédica da eficiência, da autonomia e da reprodutividade.

Objetivos:

Introduzir os fundamentos da teoria crip; discutir a crítica à normatividade corporal e temporal; relacionar teoria queer, psicanálise e filosofia da deficiência; pensar o corpo como campo político e plástico, entre biologia e cultura; examinar como raça, colonialidade e racismo estruturam regimes de capacidade e de subjetivação; elaborar uma crítica da saúde e da autonomia como ideais neoliberais.

Aula 1 – Alison Kafer e a teoria crip/aleijada

Introdução à teoria crip e ao deslocamento do modelo biomédico para um modelo político/relacional. O corpo como ficção normativa e campo de disputa política. A futuridade e o “tempo aleijado” como crítica ao progresso e à linearidade produtivista.

Questões: O que é um corpo possível? Como imaginar futuros deficientes desejáveis?

Aula 2 – Temporalidades mais do que capazes: aleijar o tempo

Análise do tempo como dispositivo de normalização. A lógica produtivista da modernidade e a desobediência temporal dos corpos crips. A noção de crip time em diálogo com debates sobre temporalidade queer. Considerações sobre como o tempo moderno também se estrutura racialmente, definindo quais corpos são autorizados a ter futuro.

Questões: O que significa viver fora do tempo do capital? Como o tempo se torna política do corpo?

Aula 3 – McRuer, Bento e Gonzalez: capacidade, raça e delírio normativo

A crítica de McRuer à capacidade compulsória corporal (compulsory able-bodiedness) e a relação entre normatividade corporal e produtividade. Em diálogo, as formulações de Berenice Bento sobre o racismo como psicose cultural e de Lélia Gonzalez sobre o racismo como neurose cultural brasileira. Discussão sobre como capacidade, branquitude e normalidade se reforçam mutuamente, produzindo regimes de exclusão e delírio social.

Questões: Como a capacidade e a branquitude são regimes normativos interligados? De que modo o racismo opera como dispositivo psíquico e político que regula corpos e futuros?

Aula 4 – Somos todos ciborgues: Donna Haraway e o corpo tecnológico

O ciborgue como figura liminar entre natureza e cultura, humano e máquina, corpo e tecnologia. A deficiência como potência ciborgue: próteses, tecnologias assistivas e mediações corporais como modos de existir para além da oposição normal/patológico.

Questões: O que resta de humano no corpo tecnicamente mediado? A deficiência pode ser pensada como forma de vida ciborgue?

Aula 5 – Catherine Malabou e a plasticidade destrutiva

A aula discute a plasticidade (cerebral) como capacidade de formar e deformar-se, destacando a noção de plasticidade destrutiva proposta por Malabou. Em diálogo crítico com a psicanálise e a neurociência, ela mostra que certas lesões e doenças neurológicas podem produzir transformações profundas da personalidade que não se explicam pela lógica da causalidade psíquica. Essa perspectiva desloca a metapsicologia freudiana ao evidenciar que há formas de destruição que não retornam como repetição, mas instauram outra configuração psíquica. Aproximamos essa discussão da teoria crip ao pensar o corpo e a mente como acontecimentos plásticos, vulneráveis e sujeitos a mudanças radicais que desestabilizam a ideia de identidade contínua.

Questões: O que significa tornar-se outro após um evento neurológico? Como essa concepção altera nossa compreensão do corpo e da deficiência?

Bibliografia básica

BENTO, Berenice. “Qual a família da psicanálise? Entre a abjeção e a psicose cultural”. Revista da Sociedade Psicanalítica do Recife, n. 22, p. 13–28, 2022. Disponível em: https://spr-pe.org.br/revista22.pdf

COELHO, C. C. “A pulsão e a desconstrução de um corpo: do limite singular em Freud e Nancy”. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica (UFRJ), v. 27, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/agora/a/ZtLKjzwqshcLd3DKbdSpfRH

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: Ciências Sociais Hoje. Rio de Janeiro: ANPOCS, 1984. p. 223-244.

HARAWAY, Donna (2009). “Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX”. In: Kunzru, Hari, Donna Haraway, & Tadeu Tomaz (Orgs.), Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano (pp. 33-118). Belo Horizonte: Autêntica. 2006

KAFER, Alison. Feminist, queer, crip. Bloomington: Indiana University Press, 2013.

MCRUER, Robert. Crip Theory: Cultural Signs of Queerness and Disability. NYU Press, 2006.

MALABOU, Catherine. Ontologia do acidente. Florianopólis: Cultura e Barbárie, 2014.

MALABOU, Catherine. Les Nouveau Blessés – De Freud à la neurologie, penser les traumatisme contemporains. Paris: Bayard, 2007.







                                                       

Política do evento

Cancelamento de pedidos pagos

Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento.

Saiba mais sobre o cancelamento

Edição de participantes

Você poderá editar o participante de um ingresso apenas uma vez. Essa opção ficará disponível até 24 horas antes do início do evento.

Saiba como editar participantes
Termos e políticas

Como acessar o evento

Acesse a aba Ingressos no site ou no app Sympla disponível para iOS e Android

Selecione o evento desejado e toque no botão acessar evento

Pronto! O link de acesso também será enviado para você por email.

Saiba mais sobre o acesso a eventos online

Sobre o produtor

EBEP/Rio - Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos

O EBEP é uma instituição que se constitui através de uma rede de grupos de trabalho formada por psicanalistas e profissionais de outras áreas de conhecimento, e que está voltada para as questões nascidas das práticas psicanalíticas, enfatizando suas relações com a realidade brasileira. Seu objetivo é transmitir e divulgar o patrimônio cultural já adquirido pela psicanálise em todos os campos de sua prática, bem como produzir novos conhecimentos.

Carregando recomendações...

Métodos de pagamento

Parcele sua compra em até 12x

Compre com total segurança

Os dados sensíveis são criptografados e não serão salvos em nossos servidores.

Google Safe BrowsingPCI compliant

Precisando de ajuda?

Acessa a nossa Central de Ajuda Sympla ou Fale com o produtor.