02 nov - 2026 • 19:00 > 02 nov - 2026 • 21:30
02 nov - 2026 • 19:00 > 02 nov - 2026 • 21:30
Antes da invasão, não existia o Brasil.
Não existiam suas fronteiras, seu nome, seu governo ou uma população que se reconhecesse como parte de um mesmo país. Mas existiam histórias, construídas durante milhares de anos por diferentes povos, em ambientes que hoje chamamos de Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas.
Quando as embarcações europeias chegaram ao litoral, não encontraram um território vazio, isolado ou esperando o começo de sua História. Encontraram sociedades que já atravessavam seus próprios processos de transformação.
Povos migravam e ocupavam novos territórios. Línguas se dividiam e se espalhavam. Aldeias formavam alianças, travavam guerras e participavam de redes de troca. Comunidades cultivavam plantas, manejavam florestas, construíam monumentos, modificavam paisagens e transmitiam conhecimentos acumulados ao longo de gerações.
No litoral, os sambaquis preservavam os vestígios de sociedades marítimas que haviam construído grandes monumentos de conchas e terra durante milênios. No Sul e no Sudeste, povos relacionados às histórias Jê escavavam estruturas subterrâneas, erguiam aterros e organizavam paisagens cerimoniais. Diferentes populações falantes de línguas do tronco Tupi haviam percorrido extensos territórios, criando comunidades distintas e participando de um processo de expansão cujas origens e rotas ainda são debatidas.
Na Amazônia, povos indígenas produziam terras antropogênicas, cultivavam e selecionavam plantas, construíam aterros e organizavam assentamentos conectados por caminhos. Em algumas regiões, aldeias articulavam-se em sistemas políticos e territoriais amplos; em outras, populações menores mantinham formas diferentes de mobilidade e organização. A floresta não era um espaço uniforme nem intocado: era também uma paisagem histórica, transformada de maneiras diferentes pela presença humana.
Não existia um só “povo indígena”, uma cultura comum ou uma trajetória que conduzisse inevitavelmente ao Brasil atual. Existiam muitos mundos, e todos eles estavam mudando.
Essa será a pergunta central do terceiro Círculo Barbarussa.
Nossa história costuma começar em 1500. Nos livros escolares, uma frota aparece no horizonte e, subitamente, entram em cena os personagens, os documentos e os acontecimentos que formariam o Brasil. Tudo o que existia antes é frequentemente comprimido em poucas páginas: “os primeiros habitantes”, “os povos indígenas” ou “o período pré-colonial” e o resultado é uma inversão curiosa.
Milhares de anos de história aparecem como uma introdução ao século XVI, enquanto a chegada dos europeus é apresentada como o acontecimento que finalmente coloca aquelas populações dentro do tempo histórico.
Neste encontro, vamos inverter essa perspectiva.
Em vez de observar os povos indígenas como personagens que aguardavam a chegada dos portugueses, acompanharemos as histórias que já estavam acontecendo quando a colonização começou. Quais sociedades existiam no território que hoje chamamos de Brasil? Como elas se formaram? Como se deslocaram e transformaram as paisagens? Que relações mantinham umas com as outras? Que processos políticos, demográficos, econômicos, ambientais e culturais estavam em andamento?
E o que aconteceu com essas trajetórias quando a invasão europeia introduziu epidemias, escravização, guerras de conquista, catequese, aldeamentos, deslocamentos forçados e apropriação territorial?
O que está incluído no ingresso
O ingresso dá acesso a:
Para preservar a espontaneidade e a intimidade da sala, a conversa final com os participantes não será incluída na gravação.
Para quem é o encontro?
O Círculo é indicado para:
Você não precisa possuir conhecimento prévio sobre o assunto.
Traga alguma coisa para beber, papel para anotar e uma pergunta para colocar no Círculo!
Por que apenas 75 lugares?
Serão disponibilizados 75 lugares por sessão.
Essa escala permite que eu acompanhe o chat, incorpore perguntas à explicação, conheça os interesses dos participantes e que todo mundo possa participar ativamente.
Ao reservar seu lugar, também contribui para que o projeto possa continuar produzindo conhecimento com mais recursos, continuidade e independência.
O suficiente para sustentar o projeto.
Poucos o bastante para continuarmos em uma mesma conversa.
Recomendamos entrar na sala com aproximadamente dez minutos de antecedência e utilizar uma conexão estável. Você poderá acompanhar o encontro pelo computador, tablet ou celular.
Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento.
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João Pedro Rangel Diniz
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