17 mar - 2026 • 20:00 > 07 abr - 2026 • 21:30
17 mar - 2026 • 20:00 > 07 abr - 2026 • 21:30
"Cinema, Psicanálise e Cultura "
Patricia Serfaty*
4 encontros ao vivo e online, semanal as terças-feiras, das 20h às 21h30
Calendário: 17, 24,31/03 e 7/04/2026
O curso propõe uma leitura psicanalítica e crítica de obras cinematográficas que abordam, de modo sensível e contundente, temas como violência, desamparo, memória, solidão, relações abusivas e as condições sociais que atravessam a subjetividade. A partir do diálogo entre cinema, psicanálise, teoria social e feminista, os encontros investigam como experiências de opressão, perda e sofrimento psíquico se articulam às formas contemporâneas de viver, amar e sobreviver. Cada aula toma uma obra como disparador para refletir sobre a constituição do sujeito em contextos de vulnerabilidade, destacando o papel do ambiente, das redes de apoio e da possibilidade — ou impossibilidade — de ressignificação da vida.
Aula 1 – A
melhor mãe do mundo (disponível em Netflix)
O filme
apresenta a história de Gal, uma catadora de recicláveis que abandona sua casa
para garantir a proteção dos filhos. A personagem vivencia várias modalidades
de violência e insuficiência de rede de apoio. O desamparo é ampliado ao se ver
na situação temporária de moradora de rua com duas crianças. No sentido de
pensar as opressões que passam despercebidas pela própria Gal e pelas pessoas
de seu entorno, trazemos ao debate a violência patriarcal invisibilizada
socialmente. Nesse encontro destacamos as
camadas de vulnerabilidade de Florência Luna e as Faces da Opressão a partir da
obra de Iris Young.
Aula 2 – Dias
Perfeitos (disponível em Netflix)
“Dias
Perfeitos” é um filme que retrata o cotidiano como sublime. Dirigido por Wim
Wenders, diretor referência do Novo Cinema Alemão, destaca temáticas como
nostalgia, memória e solidão. Hirayama é um homem que encontra paz trabalhando
na limpeza de banheiros públicos de Tóquio. A trilha sonora apresenta vestígios
de sua ruptura com o passado. A rotina, o trabalho e os pequenos prazeres são
estruturantes e trazem sentido à sua existência. Ao estabelecer um
distanciamento seguro de sua família, o personagem escolhe uma vida desapegada
das convenções sociais de sucesso privilegiando conexões breves e gentis com
estranhos. No trecho da letra de música “eu não tinha nada pelo que viver”,
assim como na performance do dançarino de Butô no jardim, entramos em contato
com fragmentos do que é possível apreender de sua vida pretérita. Wenders
explora como as pessoas lidam com o passado, as perdas irreversíveis e a
tentativa de ressignificar o viver. Dias Perfeitos não é sinônimo de dias
felizes, mas uma saída para sobrevivência psíquica. A partir de uma entrevista
concedida por Freud em 1926 sobre O Valor da Vida, nosso encontro traz ao
debate a beleza da vida que construímos e a importância de momentos de retiro
para nos recuperarmos do desgaste do convívio social.
Aula 3 – A
Gaivota (disponível em Prime Vídeo)
"A
Gaivota" de Anton Tchecov nos apresenta personagens complexos e
multifacetados que lutam contra a solidão, a depressão e o abandono. Na Rússia,
o pássaro é o símbolo da alma, e a peça não poupa simbolismo: quando
Konstantin, um jovem aspirante a escritor, mata uma gaivota e a joga aos pés de
Nina, seu amor da juventude. Ele tenta comunicar que sua alma está morta,
sufocada pela vida solitária e pela falta de perspectiva. Esta obra é um
convite a refletir sobre os perigos da vida desperdiçada, a angústia instalada
pela incúria, os possíveis destinos das falhas ambientais e a tolice da
insistência em amores não correspondidos.
É um lembrete de que algumas esperanças são pulsão de morte. Winnicott é
o psicanalista que norteará nosso encontro a partir da ênfase na potência dos
ambientes para reinventar a existência. A Gaivota nos ensina que a vida é um
processo de descobertas e de transformação. É inevitável ser lançado ao abismo
da vida, desse modo nossa força vital, conceito winnicottiano, precisa ser
direcionada à construção de novos sentidos, que deverão ser renovados de acordo
com o que a vida nos propõe ao longo de uma existência.
Aula 4 – Meu
Rei (disponível em Netflix)
Meu Rei é a
história de um relacionamento abusivo. Uma paixão inicialmente correspondida e
feliz que se torna turbulenta e danosa. A violência se instala gradativamente,
a destruição é lenta e imperceptível. Com o passar do tempo, Tony e Giorgio
mantêm uma relação fracassada, na qual Tony é a mulher sensível e
excessivamente tolerante que luta para manter o casamento a qualquer custo,
enquanto Giorgio é um manipulador viciado na sedução sem comprometimento
emocional.
O que difere um relacionamento tóxico de um conflito conjugal prosaico? Por que a pessoa que sofre a violência permanece no lugar de desvalorização? Nesse encontro o debate gira em torno da violência perversa do cotidiano, a partir dos autores Marie-France Hirigoyen, Paul Claude Racamier e Alberto Eiguer. A relação abusiva independe da configuração do casal, não se tratando de uma experiência exclusiva de casais heterocisnormativos.
*Minibio
Psicanalista
Clínica Membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos (Ebep-Rio).
Membro da Associação Brasileira para o Estudo da Psicologia Psicanalítica do
Self (ABEPPS) – Membro da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB). Pesquisadora
em Violências e Subjetividades. Membro do Grupo de Pesquisas Psicanálise Não
Patriarcal. Doutora em Bioética e Saúde
Coletiva (UFRJ) - Mestra em Teoria Psicanalítica (UFRJ) - Mestra em Psicanálise
e Liderança (UFF). Professora da Casa do Saber. Autora dos livros:
Alfabetização Emocional: o segredo para a construção de relacionamentos e
Pais gentilmente narcisistas: a violência silenciosa do desamor.
Bibliografia
EIGUER,
Alberto. Le prevers-narcissique et son cumplice. Paris: Dunod, 2008. (trabalho
original publicado em 1998).
ESTEVES, C. R.; WELS, E. S. As
Quizumbeiras: a raiva como afeto disruptivo e mobilizador e o mito da mulher
negra raivosa em leitura comparada. The Especialist, [s. l.], v.
46, n. 1, p. 458-480, 2025. DOI: 10.23925/2318 7115.2025v46i1e68053.
EVARISTO, C. Olhos D’Água.
Rio de Janeiro: Pallas, 2016.
FREUD,
S. (1930). O mal-estar na civilização. In: Obras Completas de Sigmund Freud.
Vol. 18, p.13-122. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
HIRIGOYEN, M. F. A violência no casal: da coação
psicológica à agressão física. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
_______________ . Assédio moral: a violência
perversa no cotidiano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.
LUNA,
F. Elucidanting the concept of vulnerability: layers not labels. The
international journal of feminist approaches to bioethics. Vol. 2, n. 2,
(Spring), 2009. pp. 121-139.
Elucidating the Concept
of Vulnerability: Layers Not Labels on JSTOR acesso em:
18 de agosto de 2025.
RACAMIER, P. C. (1986) Les perversions
narcissiques. Paris: Payot & Rivages, 2012.
VIERECK,
George Sylvester. O valor da vida (Uma entrevista rara de Freud). Ide
(São Paulo), São Paulo , v. 42, n. 69, p.
11-15, jun. 2020 . Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31062020000100002&lng=pt&nrm=iso>.
acessos em 10 fev. 2026.
WINNICOTT, D. W. Processos de amadurecimento e ambiente facilitador:
estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. São Paulo: Ubu Editora;
WMF Martins Fontes, 2022.
________________ . O medo do colapso. In: Explorações
psicanalíticas. Tradução de José Octávio de Aguiar Abreu. Porto Alegre: Artes
Médicas Sul, 1994.
_______________ . (1993). O primeiro ano de vida.
Concepções modernas do desenvolvimento emocional. In: D.W. Winnicott
(1993/1965a), A família e o desenvolvimento individual. São Paulo:
Martins Fontes, 2011. (Trabalho original publicado em 1958; respeitando-se a
classificação de Huljmand, temos 1958j)
________________ . Bebês e suas
mães. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
YOUNG,
Iris. Cinco Faces da Opressão. Trad, Marina Cortez. RDP, Brasília, Volume 18,
n. 97, p. 487-515, jan./mar., 2021.
AÇÕES AFIRMATIVAS: Oferecemos 9 vagas por ações afirmativas para pessoas negras e indígenas. Solicitamos que envie e-mail para [email protected] justificando a solicitação da inscrição. As vagas serão ocupadas conforme ordem de inscrição.
Atenção: as inscrições realizadas após às 18h30 somente serão processadas no próximo dia útil

Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento.
Saiba mais sobre o cancelamentoVocê poderá editar o participante de um ingresso apenas uma vez. Essa opção ficará disponível até 24 horas antes do início do evento.
Saiba como editar participantesSelecione o evento desejado e toque no botão acessar evento
Pronto! O link de acesso também será enviado para você por email.
EBEP/Rio - Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos
O EBEP é uma instituição que se constitui através de uma rede de grupos de trabalho formada por psicanalistas e profissionais de outras áreas de conhecimento, e que está voltada para as questões nascidas das práticas psicanalíticas, enfatizando suas relações com a realidade brasileira. Seu objetivo é transmitir e divulgar o patrimônio cultural já adquirido pela psicanálise em todos os campos de sua prática, bem como produzir novos conhecimentos.
Os dados sensíveis são criptografados e não serão salvos em nossos servidores.

Acessa a nossa Central de Ajuda Sympla ou Fale com o produtor.