03 out - 2026 • 09:00 > 10 out - 2026 • 12:00
Ministrado por: Me. Larissa Cristina da Silva Portela.
Objetivo
Capacitar psicólogas(os) a incorporar a perspectiva de gênero ao raciocínio clínico de forma prática, transformando conhecimentos sobre gênero e socialização de mulheres em elementos concretos para a avaliação, a formulação de caso e a tomada de decisão clínica.
Ao longo do minicurso, as(os) participantes aprenderão a:
Ao final, espera-se que as(os) participantes sejam capazes de utilizar a perspectiva de gênero não apenas como referencial teórico, mas como uma ferramenta para avaliar, formular casos e tomar decisões clínicas diante de situações concretas da prática com mulheres.
Conteúdo programático
Encontro 1 — Da queixa à formulação: como enxergar gênero no caso clínico (3h)
Perspectiva de gênero como ferramenta de análise clínica: o que muda quando gênero entra na compreensão do caso.
Do contexto sociocultural às contingências: como traduzir fenômenos sociais em variáveis relevantes para a análise do comportamento individual.
Socialização de gênero e construção de repertórios: aprendizagem, reforçamento, punição, modelação e controle social na história de mulheres.
Onde procurar gênero na avaliação clínica: história de aprendizagem, relações afetivas, trabalho, cuidado, maternidade, corpo, sexualidade, autonomia, limites, culpa, autocobrança e redes de apoio.
Como investigar essas variáveis: perguntas clínicas e levantamento de contingências sem pressupor experiências a partir do gênero da cliente.
O risco da dupla individualização: quando a clínica trata como déficit pessoal repertórios construídos e mantidos socialmente.
O problema inverso: quando “patriarcado”, “machismo” ou “socialização feminina” viram explicações circulares e substituem a análise funcional.
Incorporando gênero à análise funcional e à formulação de caso: antecedentes, consequências, operações motivadoras, regras, repertórios e contingências sociais.
Exercício guiado de formulação a partir de caso clínico.
Entre os encontros — aplicação à própria prática
Cada participante recebe um roteiro de análise clínica com perspectiva de gênero e aplica a um caso de sua prática, preservando integralmente o sigilo. A ideia não é entregar o caso, mas chegar ao segundo encontro tendo identificado onde conseguiu avançar e onde empacou.
Encontro 2 — Da formulação à intervenção: o que fazer com o que encontramos (3h)
Da compreensão contextual à tomada de decisão clínica: se gênero participa da formulação, o que efetivamente muda na intervenção?
Diferenciando mudança individual de mudança contextual: quando ampliar repertórios, quando modificar contingências, quando trabalhar discriminação das contingências e quando construir condições para mudanças fora da sessão.
Intervenções sobre repertórios frequentemente selecionados e mantidos por contingências de gênero: submissão e apaziguamento; dificuldade de estabelecer limites; culpa; autocobrança; responsabilização pelo cuidado e pelas relações; dependência e autonomia; esquiva de conflito; busca de aprovação.
Valores, escolha e autonomia sem desconsiderar restrições materiais e sociais.
Como evitar que a própria terapia reproduza prescrições de gênero — inclusive prescrições aparentemente “feministas” sobre como uma mulher deveria viver.
A relação terapêutica como contexto para identificar e modificar repertórios relacionados a gênero.
Formulação → objetivo terapêutico → intervenção: construindo coerência entre as três etapas.
Discussão das dificuldades encontradas na atividade entre encontros.
Caso integrador: avaliação, formulação e planejamento de intervenção do início ao fim.
Público alvo
Qualquer profissional da área da saúde interessado em bipolaridade.
Periodicidade
Dias: 03 e 10/10/2026
Horário: das 9hrs às 12hrs (horário de Brasília).
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