17 mar - 2026 • 19:30 > 17 mar - 2026 • 21:30
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Débora Tavares é mestre e doutora em literatura pela Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), onde pesquisou a obra de George Orwell e sua relação com a História. Atua como professora, oferecendo cursos sobre literatura, relações entre arte e sociedade, assim como metodologia de pesquisa. Autora de ensaios nessa área, entre eles o posfácio “A esperança vem do plural” da edição de 1984 publicado pela editora Antofágica.
Caio Rubini é doutorando em História Social (FFLCH-USP), mestre em Pensamento Político e Social (Filosofia) pela University of Sussex (Reino Unido), historiador e professor de História pela Universidade de São Paulo (FFLCH/FE-USP) e bacharel em Comunicação Social – Jornalismo. Atualmente trabalha como professor, ministrando cursos de Humanidades, em especial História e Filosofia. Além disso, pesquisa elementos históricos e filosóficos do século XX, baseado na Teoria Crítica, com ênfase na obra do autor Walter Benjamin.
E-mail: [email protected]

Horário síncrono: 19h30 - 21h30 (Horário de Brasília)
Datas das aulas: 17, 24, 31 de março e 07 de abril
Gravação disponível até: 07/05 e 31/12 (LivreTeca - plano Cátedra)
Via Google Meet
O objetivo deste curso é mergulhar nas entranhas da formação do nosso continente a partir da obra máxima de Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina. Ao articular a História e os Estudos Culturais, o curso investiga como cinco séculos de espoliação moldaram a política, a economia e a identidade da região. Em cada aula cruzaremos a denúncia histórica e a economia política com a produção cinematográfica, visual e literária latino-americana. Também faremos uma leitura crítica para além das virtudes da obra, expondo suas falhas, erros historiográficos, generalizações e problemáticas em geral. Por fim, compreenderemos os mecanismos de dominação imperialista e as artes como espaços incontornáveis de memória e resistência.

Aula 02 (24/03) – O rei açúcar: o corpo e a terra como máquinas
Na aula dois passaremos para a exploração agrícola. Como as vastas plantations caribenhas e latino-americanas destruíram biomas inteiros e estabeleceram grandes latifúndios, e a consolidação do sistema escravista como força de trabalho. Analisaremos o estalebecimento de uma economia baseada na escravidão atlântica, a transição dessa mão de obra entre o indígena e o africano, criando a desigualdade sistêmica profunda que perdurou por séculos e permanece viva até os dias atuais.
Aqui adentramos no século XX. Analisaremos o imperialismo moderno e como o interesse dos Estados Unidos pelos minérios, petróleo e recursos estratégicos latino-americanos desencadeou intervenções diretas, golpes de Estado e o financiamento de regimes de terror.
Para o encerramento, debateremos a segunda parte do livro (O desenvolvimento é uma viagem com mais naufrágios que navegantes). Entre outros aspectos, abordaremos como o protecionismo europeu e norte-americano esmagou a industrialização dos países latino americanos, resultando no endividamento crônico (FMI) e em elites locais entreguistas (como hoje testemunhamos no caso da Argentina). Em paralelo, pensaremos como as elites locais não são apenas entreguistas por erro ou condição material, mas como o capitalismo periférico, em boa parte ditado por estas elites latinas, depende da superexploração do trabalho para se manter - há uma escolha de classe, não apenas uma imposição do Norte Global - ou seja, como a ideologia dominante e sua condição material ainda sustentam as ordens desiguais do colonialismo, mesmo vivendo no capitalismo tardio. Seguindo Florestan Fernandes, a análise proposta mostrará que o desenvolvimento, nos moldes das nossas elites, exige o subdesenvolvimento da maioria, e este é um dos pontos centrais da questão Latino Americana. No final, discutiremos os maiores problemas históricos e sociais da obra Veias Abertas das América Latina, e diante de sua importância, fama e magnitude, analisaremos o legado do pensamento de Galeano na cultura e comunicação dos povos latinos.
BAMBIRRA, Vânia. O Capitalismo Dependente Latino-Americano. Florianópolis: Insular, 2012.
BENJAMIN, Walter. Teses sobre o conceito de História. In: Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da Cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2015.
FERNANDES, Florestan. Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.
GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Tradução de Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM Editores, 2010.
HALPERÍN DONGHI, Tulio. História Contemporânea da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
LOSURDO, Domenico. O Marxismo Ocidental: Como nasceu, como morreu, como pode renascer. São Paulo: Boitempo, 2018.
MARINI, Ruy Mauro. Dialética da Dependência. In: SADER, Emir (Org.). Dialética da dependência. Petrópolis: Vozes, 2000.
MARINI, Ruy Mauro. Subdesenvolvimento e Revolução. Florianópolis: Insular, 2012.
NERUDA, Pablo. Canto geral. Tradução de Paulo Mendes Campos. Porto Alegre: L&PM Editores, 2008. (Recomendado para o poema "Alturas de Macchu Picchu").
SANTOS, Theotônio dos. A Estrutura da Dependência. São Paulo: Ática, 1991.
SCHWARZ, Roberto. Ao Vencedor as Batatas: Forma literária e processo social no início do romance brasileiro. São Paulo: Duas Cidades, 1977.
Filmografia e audiovisual (material de análise)
A HORA DA ESTRELA. Direção: Suzana Amaral. Produção: Emilie Lesclaux. Brasil: Embrafilme, 1985. Filme (104 min). (Caso utilize a referência cruzada com Clarice Lispector nas análises de opressão social).
BACURAU. Direção: Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Produção: Emilie Lesclaux, Saïd Ben Saïd e Michel Merkt. Brasil / França: Vitrine Filmes, 2019. Filme (131 min).
DIÁRIOS DE MOTOCICLETA. Direção: Walter Salles. Produção: Robert Redford, Michael Nozik e Karen Tenkhoff. Brasil / Argentina / Chile: Buena Vista International, 2004. Filme (126 min).
ILHA DAS FLORES. Direção: Jorge Furtado. Produção: Mônica Schmiedt, Giba Assis Brasil e Nora Goulart. Porto Alegre: Casa de Cinema de Porto Alegre, 1989. Curta-metragem (13 min).
UMA NOITE DE 12 ANOS (La noche de 12 años). Direção: Álvaro Brechner. Produção: Mariela Besuievsky. Uruguai / Espanha / Argentina: Salado Media / Tornasol Films, 2018. Filme (122 min).
Referências culturais e musicais (material complementar)
CALLE 13. Latinoamérica (part. Totó la Momposina, Susana Baca e Maria Rita). In: Entren los que quieran. [S.l.]: Sony Music Latin, 2010. Álbum musical, faixa 5.
GUAYASAMÍN, Oswaldo. La Edad de la Ira (Série de pinturas). Fundação Guayasamín, Quito, Equador. (Acervo visual recomendado para exibição em slides durante a Aula 01).
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Livre Literatura
Débora Tavares, Mestre e Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista renomada na obra de George Orwell. Caio Rubini, Historiador e Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), e University of Sussex (Reino Unido).
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