O curso propõe uma viagem pela história do carnaval carioca a partir de suas principais mentes criadoras. Serão quarto aulas dedicadas a revisitar trajetórias de artistas que transformaram a festa em espetáculo, entendendo seus diálogos com a História da Arte institucionalizada e com diferentes linguagens estéticas.
Ao mergulhar nos universos de grandes carnavalescos e nas narrativas visuais construídas pelas escolas de samba, o curso convida a revisitar imagens que marcaram época: a nobreza de Xica da Silva, indígenas futuristas, leques franceses, meninos jogando video-game, o Cristo Mendigo e letreiros coloridos. Além de tantos outros ícones que fizeram que marcaram memória afetiva de muitos foliões.
Não se trata de contar a história da festa de forma linear, mas de cruzar movimentos, estilos e invenções que, em diferentes momentos, expandiram as fronteiras do carnaval. O barroco encontra o tropicalismo, o cotidiano se mistura ao pop, e os desfiles se tornam campo de experimentação estética e política no traços de nomes como Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta, Rosa Magalhães, Fernando Pinto, Maria Augusta, Renato Lage, Luiz Fernando Reis, Paulo Barros e muitos outros.
O curso é destinado a quem deseja aprofundar seu olhar sobre a estética do carnaval, articulando-a à História da Arte e aos saberes produzidos nas comunidades do samba. É uma oportunidade para pesquisadores, estudantes, artistas ou simplesmente apaixonados pela folia ampliarem suas referências e descobrirem novas camadas dessa arte que nasceu popular, mas dialoga com o erudito em múltiplas dimensões.
Serão cinco encontros on-line, de duas horas cada, realizados entre os dias 05/11 e 26/11, sempre às 20h.
Todas as aulas serão gravadas e ficarão disponíveis para serem assistidas depois.
Programa:
05/11 – O que é que o barroco tem? Arlindo Rodrigues e Joãosinho Trinta
O ponto de partida será a invenção de uma estética carnavalesca a partir da década de 1960, quando elementos da linguagem teatral ganharam espaço nos cortejos. Arlindo Rodrigues inaugurou uma nova era com cenários e fantasias de sofisticação cênica. Na década seguinte, Joãosinho Trinta levou a grandiosidade ao limite, transformando a Sapucaí em palco de imagens agigantadas e impactantes. A aula também dialoga com outros artistas que exploraram o barroco carnavalesco, como Alexandre Louzada e Leandro Vieira.
12/11 – Brasil, mostra tua cara: Fernando Pinto e Rosa Magalhães
O carnaval como espelho da brasilidade: tropicalista, popular e modernista. Nesta aula, revisitamos os enredos ousados de Fernando Pinto, que trouxe a Tropicália para a avenida, e as narrativas eruditas e sofisticadas de Rosa Magalhães, que ressignificaram a modernidade brasileira e questionava o que nos faz Brasil. Serão indígenas de patins e saias francesas, além de diálogos com frutas, plantas e banareitas. Esse verde exuberante da nossa identidade também será observado nas obras de Oswaldo Jardim e, mais recentemente, na dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora.
19/11 – E por falar em cotidiano: Luiz Fernando Reis e Maria Augusta
Entre epopeias e mitos, o carnaval também abriu espaço para narrativas simples e humanas. Maria Augusta, na União da Ilha, foi pioneira em cantar a de domingos e amanhãs, com desfiles leves e coloridos. Já o matemático Luiz Fernando Reis, na Caprichosos de Pilares, deu voz à crítica política e social em pleno processo de redemocratização, com temas contundentes. Ao longo do tempo, destacamos também o trabalho de Júlio Mattos na Mangueira. No século XXI, Jack Vasconcelos atualizou essa vertente, propondo desfiles conceituais com forte crítica social.
26/11 – Os reis do pop: Renato Lage e Paulo Barros
O diálogo com a cultura pop e o audiovisual ganha destaque nesta última aula. Renato Lage marcou época com imagens icônicas como o "Menino do Vídeo Game", que trouxe a estética televisiva para a folia. O cotidiano da massa também se revelou nas alegorias humanas de Paulo Barros, nos anos 2000, que criou um estilo inconfudível com coreografias e referências diretas ao cinema hollywoodiano. A aula ainda abre espaço para pensar os desfiles de Mauro Quintaes e Jorge Silveira dentro da permanência do pop como linguagem carnavalesca.
Sobre o propositor do curso:
Leonardo Antan é historiador da arte, curador e escritor. Graduado e mestre em História da Arte pela UERJ, onde pesquisou a linguagem artística dos desfiles das escolas de samba. É editor do projeto multi-plataforma Carnavalize, que realiza eventos voltado à história do carnaval. Integrou o coletivo curatorial “Dia de Glória’’, em parceria com a Casa de Estudos Urbanos. Cursou Imersões Curatoriais no Paço Imperial, onde curou coletivamente a exposição “Limiares”. No carnaval, já atuou como aderecista em escolas como Unidos da Tijuca e Portela, além de fazer parte da criação do desfile da Unidos das Vargens. Como curador, realizou ainda de exposições na Casa de Estudos Urbanos, Museu da História e da Cultura Afro-brasil, Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica e no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea. Entre as exposições estão “Uma delirante celebração carnavalesca: o legado de Rosa Magalhães” e “O rei que bordou o mundo: poéticas do carnaval da Acadêmicos da Cubango”. Na área literária, é editor do Selo Carnavalize, voltado para publicação de obras sobre a folia brasileira. Além de já ter publicado dois romances e antologias de ficção LGBT+ pelo Se Liga Editorial. Já ministrou os cursos livres "Estética em desfile: Visualidade e conceito na criação dos carnavalescos" e "Bumbum Paticumbum Prugurundum - Da Praça XI à Apoteose".
Informações gerais:
- Ao final do curso será conferido um certificado digital na modalidade “curso livre” para todos os inscritos que estiverem matriculados e presentes em pelo menos 75% das aulas.
- O curso possui vagas limitadas.
- Cada interessado ou interessada terá o prazo de 48 horas para cancelar a sua matrícula pela própria plataforma do Sympla.
- Após 48 horas, para solicitar o cancelamento de um curso ou atividade, você deve enviar um e-mail para: [email protected] - Você receberá o reembolso de 90% do valor do pagamento efetuado para inscrições canceladas em até 10 dias de antecedência do início do curso ou atividade;
- Não realizamos reembolso após as últimas 24 horas que antecedem o início do curso. Neste caso, você poderá transferir sua matrícula, indicando uma pessoa para ocupar o seu lugar na classe.
- Caso não atinja o número mínimo de estudantes até 24h antes do início do curso, o Carnavalize se reserva o direito de cancelar a turma, ressarcindo integralmente o valor da taxa de inscrição.
- As aulas gravadas são destinadas apenas aos alunos matriculados. Valorize o trabalho dos profissionais!