28 abr - 2026 • 19:00 > 30 abr - 2026 • 21:00
28 abr - 2026 • 19:00 > 30 abr - 2026 • 21:00
SOBRE:
São bastante latentes as inquietações em relação às existências que a Modernidade colonial designou como “outre”, isto é, existências violentadas, oprimidas e subalternizadas até os dias de hoje. Em função disso e, quem sabe, a partir do conhecimento e percepção de que estas outridades não são necessariamente Humanas, as discussões antiespecistas têm buscado ocupar um lugar sob esse guarda-chuva contracolonial como forma de reafirmação da resistência a tudo aquilo que é normativo e hegemônico.
Nota-se que, ao falar de Humanidade ou Humano, utilizamos maiúsculas pois reconhecemos as operações coloniais de opressão sob as quais nem todas as vidas pertencentes a (essa suposta) espécie Homo sapiens ocupam o lugar de centralidade moral e política: isto é, algumas vidas humanas são conjugadas sob a sub-humanidade ou não-humanidade em virtude de desviarem de um padrão normativo - este padrão corresponde ao homem heterocis branco, dito saudável, neurotípico, do Norte-global, magro, entre outros.
Diante disso, este (per)curso nasce a partir das nossas existências subalternizadas para reivindicar narrativas novas e milenares em relação ao que é nomeado enquanto não-humano e que, por isso, torna-se, sob os braços do cistema, menos merecedor de contemplação ética-moral e política. Isto é, busca-se reconhecer o especismo enquanto opressão, mas não só… trata-se de reconhecer a colonialidade e o colonialismo enquanto forjadoras de um mundo (globalizado e geocentrado sobre o Norte-Global) especista em sua estrutura, abarcando aspectos culturais, políticos e econômicos.
Quando Lugones (2014) afirma que a dicotomia central da Modernidade - imposta no período colonizatório e presente até os dias de hoje - é a de Humano X não-humano, podemos desenvolver ou visibilizar críticas antiespecistas decoloniais que reconheçam o recurso animalizatório enquanto ferramenta de inferiorização ética e política e que, portanto, alcança tanto seres humanos como animais mais-que-humanos.
Ao apresentar uma genealogia colonial do especismo, situando-o enquanto opressão estrutural e estruturante, buscaremos trazer visibilidade e/ou construir antiespecismos sob a inevitável lente contracolonial. Por conseguinte, o curso abordará o antiespecismo enquanto prática ao apresentar alternativas que buscam enfrentar o aparente monopólio do Veganismo (também em maiúsculas) enquanto única narrativa possível para se articular respostas em prol das existências mais-que-humanas. Sendo assim, abordaremos esses antiespecismos de formas plurais, sempre a partir das perspectivas das dissidências de gênero, anticapitalistas, anticapacitistas, antirracistas e originárias.
Iniciaremos este (per)curso debatendo o conceito de especismo para além de sua definição mais clássica, abordando sua constituição enquanto estrutura histórica, política e material da sociedade moderna colonial. A partir disso, discutiremos sua relação com a colonialidade do poder, evidenciando como a imposição de binarismos — especialmente Humano x não-humano, mas também razão x natureza, civilizado x selvagem, capacidade x deficiência — organizou a leitura colonial do mundo e legitimou múltiplas formas de violência e exploração. Serão abordadas, ainda, as problemáticas do Movimento Vegano quando se apresenta como narrativa única ou universalizante em prol de animais não humanos, abrindo espaço para a discussão de antiespecismos plurais, situados, transfeministas e anticapacitistas, comprometidos com perspectivas antirracistas, decoloniais e anticapitalistas. No segundo dia, contaremos com um debate sobre antiespecismos originários, trataeremos do Bem Viver enquanto cosmopercepção alternativa e as múltiplas possibilidades de construção de comunidades interespécies serao trabalhadas coletivamente. Para encerrar, realizaremos com uma roda de conversa cujo elemento disparador será uma declamação de “muito mais-que-humanas: a desistência da espécie enquanto práxis decolonial”, uma poesia-manifesto-automitobiografia, que dialoga com muitas das referências expostas ao longo dos dois primeiros dias e introduz alguns outros conceitos, como o da desistência da espécie, que a autora propõe enquanto elemento fundamental para uma revolução epistêmica, a qual julga necessária frente ao colapso ambiental inerente ao sistema capitalista colonial moderno. Vem com a gente?
Dia 1
O que é o especismo?
Especismo estrutural e colonialidade
Animalização como tecnologia política
Humanidade como categoria racializada e capacitista
Habitus interespecie
Resistência e indisciplina animais
Limites do Veganismo dominante e emergência de antiespecismos plurais
Dia 2
Educação Ambiental Indigena e Contracolonial
Antiespecismos originários
Dia 3
muito mais-que-humanas
desistência da espécie
coletivas multiespécie
alianças selvagens
confabulação de mundos outros
IDEALIZAÇÃO E FACILITAÇÃO:
Mar Revolta é travesti não-binária, artista transdisciplinar e arte-educadora. Poeta e curadora, junto com Cella Azevedo, do zine “Poesia pelo Fim do Mundo: um exercício em fluxo de confabulação de mundos outros” (Elle/Elu Transedições, 2024). Apresentadora do podcast Revolta Climática e militante ecossocialista pelo Subverta, pesquisa a implicação do corpo na educação climática. Graduada em Engenharia Mecatrônica pela Escola Politécnica da USP, mestra em Engenharia Mecânica pela TU-München. Também concluiu o curso de extensão “Emergência Climática: do negacionismo às alternativas” pela UFABC e os cursos de extensão em Emergência Climática e Limites Planetários, Colapso Ambiental e Antropoceno pela UECE.
Martina Davidson (elu/ela) é sapatão não-binárie, transfeminista decolonial, anarquista e militante em prol da libertação animal. Mestrie (UFF) e doutore (UFRJ) em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva. Professore e pesquisadore nas temáticas de gênero, animalidade, decolonialidade e anticapitalismos. Autore do livro "Repensando o Veganismo", publicado pela editora Ape'ku (2021).
Okara Yby (@yby.okara) é indígena em diáspora e retomada, pessoa trans-contrabinária e com deficiência. Graduou em Psicologia na UFF e é mestrande em Relações Étnico-Raciais no CEFET/RJ. Planta o podcast Ybytúkatú (@ybytúkatú).
INFORMAÇÕES:
Data horário: 28/04 + 29/04 + 30/04 das 19h às 21h
Valores conscientes, você paga o quanto pode no momento!
Opção 01 - Mínimo: R$60
Opção 02 - Intermediario: R$85
Opção 03 - Ideal: R$110
BOLSA INTEGRAL/PARCIAL: se você quer fazer este curso mas não dispõe de recursos financeiros no momento, mande a sua solicitação de bolsa através do seguinte formulário: https://forms.gle/4S8z62sTcsdr9tRV9
Curso online e ao vivo, via plataforma Zoom
Todas as aulas são gravadas e disponibilizadas para quem estiver inscrite (vídeo disponível no drive por um mês após a realização do curso)
Emissão de certificado de participação para quem assistir às aulas ao vivo.
Classificação indicativa: 18 anos
Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento.
Saiba mais sobre o cancelamentoVocê poderá editar o participante de um ingresso apenas uma vez. Essa opção ficará disponível até 24 horas antes do início do evento.
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BRAVA
Um espaço de construção de comunidades a partir do compartilhamento de conhecimentos e à produção de saberes contra-hegemônicos. Os caminhos desenhados pela Brava passam por cursos, oficinas, aulões, rodas de conversa e outras iniciativas educacionais, centradas em discussões sobre raça, classe, sexualidade, gênero, colonialidade e pela formação de um pensamento crítico no geral, idealizadas e facilitadas por sujeites que moldam suas vozes a partir do enfrentamento à esses sistemas.
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