A consolidação do Acervo Digital do Museu da Língua Portuguesa inaugura uma nova etapa de reflexão: não apenas sobre o que documentamos, mas sobretudo sobre como documentamos — e a partir de quais perspectivas.
O segundo encontro do ciclo “Patrimônio Cultural: documentação, preservação e acesso”, propõe um espaço de diálogo centrado nas práticas de documentação, catalogação e gestão da informação em instituições culturais, com ênfase em experiências que ampliam os modelos tradicionais de organização do conhecimento a partir de perspectivas indígenas.
A participação de Gustavo Caboco, artista, curador e pesquisador Wapichana, traz à discussão modos de documentação que consideram a relação entre memória, território, oralidade e deslocamento como dimensões fundamentais do registro. Sua prática evidencia a documentação como um processo vivo, que incorpora narrativas, trajetórias e vínculos culturais, propondo outras formas de organizar e acessar a informação.
Em diálogo, a Bienal de São Paulo apresenta experiências relacionadas à documentação de projetos artísticos contemporâneos, incluindo iniciativas com acervos indígenas e o uso de plataformas digitais como o CollectiveAccess. Serão abordadas estratégias para a discussão de bases de dados mais sensíveis à diversidade cultural, considerando contextos específicos de produção e circulação dos acervos.
Ao aproximar essas experiências, o encontro busca refletir sobre questões centrais: como estruturar sistemas de informação que contemplem diferentes formas de conhecimento? Como descrever acervos respeitando seus contextos culturais? Quais critérios podem orientar a organização da informação em diálogo com as comunidades envolvidas?
Nesse contexto, ganham destaque as questões relacionadas à documentação de acervos indígenas, como a importância da escuta e da consulta às comunidades de origem, o uso de autodenominações, o respeito a protocolos culturais e a atenção a informações sensíveis ou de acesso restrito. A documentação, nesse sentido, requer cuidado contínuo na definição de terminologias, categorias e procedimentos, reconhecendo a diversidade de modos de produzir e transmitir conhecimento.
Participam deste encontro Gustavo Caboco, curador, artista e pesquisador Wapichana; Paulo Carretta, coordenador do Arquivo Histórico Wanda Svevo da Bienal de São Paulo; e Majoí Gongora, coordenadora de comunicação cultural do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, que atuará como mediadora.
Programação online:
14:00 – 14:10 Abertura
14:10 – 14:50 | Mesa 1: Gustavo Caboco
14:50 – 15:40 | Mesa 2: Bienal de São Paulo – Paulo Carretta
15:40 – 16:00 | Debate e encerramento
Inscrições
As pessoas que desejarem participar e receber certificado devem se inscrever na plataforma Sympla. Será compartilhada uma lista de presença durante a realização do evento.
ATENÇÃO: Confira se seus dados estão todos corretos, pois o certificado será emitido com base nas informações preenchidas na plataforma Sympla. Vagas limitadas.