11 mai - 2026 • 19:00 > 12 mai - 2026 • 22:00
11 mai - 2026 • 19:00 > 12 mai - 2026 • 22:00
SOBRE:
O trabalho sempre desempenhou um papel fundamental no pensamento moderno.
Do liberalismo ao materialismo histórico, o trabalho foi teorizado como o fundamento de toda e qualquer sociedade, um meio pelo qual o Humano daria para si um mundo, ultrapassando as necessidades impostas pela natureza. O ser Humano seria, por definição, um Homo Faber ou Laborans.
Para John Locke, o “pai do liberalismo”, Deus teria dado o mundo aos homens para que dele se apropriasse e fizesse um uso industrioso por meio do trabalho. E, com base no trabalho e sua relação com o “melhoramento” da terra, justificou a colonização do “Novo Mundo”, imaginado como uma terra onde seus habitantes não “trabalhavam”.
Essa centralidade do trabalho não foi questionada pelas críticas sociais. Karl Marx, por sua vez, chegou a identificar o processo de trabalho como o próprio processo metabólico pelo qual o ser humano se relaciona com a natureza. George Bataille, em O Erostismo, recuando até o Homem de Neandertal, diz que: “o mundo do trabalho e da razão é a base da vida humana”, e que toda sociedade é uma “comunidade do trabalho”.
Sendo o trabalho identificado como uma condição antropológica insuperável, ele passou a operar como âncora da crítica social e dos projetos emancipatórios. As análises dos processos de subjugação social foram, em larga medida, centralizadas em torno do trabalho e feito sobre seu ponto de vista como um “princípio ontológico”. E a libertação seria, antes de tudo, uma libertação do trabalho e do trabalhador, servindo de base comum para a unificação da luta e da solidariedade no plano nacional e internacional. E aquelas atividades e grupos sociais que não eram reconhecidos no interior do “mundo do trabalho”, passaram também a demandar reconhecimento enquanto tal, como foi o caso do feminismo.
Hoje o trabalho passou a se confundir cada vez mais com a própria produção da vida humana, abarcando, num processo totalitário, todas as atividades, mesmo aquelas que antes figuravam como “não-trabalho”. E o trabalho se mostra, cada vez mais, como uma tormenta.
Em contraposição a essa história do trabalho e das críticas sociais elaboradas em torno dele de maneira afirmativa, é possível observamos uma contra-história: histórias de recusa, fuga e abolição; histórias marcadas pela destruição das ferramentas, máquinas e espaços que representavam o “mundo do trabalho”. Nesse percurso, seria possível um outro tipo de crítica: não uma feita do ponto de vista do trabalho, para libertá-lo; mas uma crítica do trabalho, para nos emanciparmos dele enquanto forma de coação capitalista, masculina e branca.
Nesse sentido, o presente curso fornecerá uma introdução às críticas do trabalho, que, ao invés de partir do trabalho como ponto de vista da crítica, fazem do trabalho o próprio objeto da crítica, expondo-o como uma forma de dominação. Não libertar o trabalho, mas nos libertarmos do trabalho é o horizonte desta crítica.
Para isso, o curso será dividido em dois encontros: O primeiro se dedicará a fazer uma breve contextualização histórica do processo de imposição do trabalho na modernidade, feito entre recusa e internalizações; O segundo se dedicará a expor algumas modalidades de críticas do trabalho: a contra-colonial, a autonomista e crítica do valor feminista.
Programação:
ENCONTRO 1: TRABALHANDO O MUNDO E UM MUNDO QUE NOS PÕE A TRABALHAR
a) A história da constituição do trabalho na modernidade: guerra, colonização e catividade
b) O trabalho entre imposições, internalizações e recusas
ENCONTRO 2: O TRABALHO E SUAS CRÍTICAS
a) A crítica contra-colonial ao trabalho: Antônio Bispo dos Santos
b) Autonomia, insurreição e recusa do trabalho: Alfredo Bonnano, TIQQUN e Comitê Invisível
c) A crítica feminista do trabalho: Roswitha Scholz e o valor-cisão
IDEALIZAÇÃO E FACILITAÇÃO:
Agnes de Oliveira Costa, Mestra em Filosofia (USP) com pesquisa sobre a obra Capitalismo e Esquizofrenia de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Doutoranda em Ética e Filosofia Política pela UFRN, na qual tenho me dedicado a pensar a relação entre capital, guerra e biopolítica a partir do processo mundial de encarceramento em massa.
INFORMAÇÕES:
Data e horário: 11/05 + 12/05 das 19h às 22h
Valores conscientes, você paga o quanto pode no momento!
Opção 01 - Mínimo: R$50
Opção 02 - Intermediario: R$75
Opção 03 - Ideal: R$90
BOLSA INTEGRAL/PARCIAL: se você quer fazer este curso mas não dispõe de recursos financeiros no momento, mande a sua solicitação de bolsa através do seguinte formulário: https://docs.google.com/forms/d/1PgC3ZiV1l3Xba7KJ_0z8rSakIdkPLdLT5E2AMDs0Ksg/preview
Curso online e ao vivo, via plataforma Zoom
Todas as aulas são gravadas e disponibilizadas para quem estiver inscrite (vídeo disponível no drive por um mês após a realização do curso)
Emissão de certificado de participação para quem assistir às aulas ao vivo.
Classificação indicativa: 18 anos
Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento.
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BRAVA
Um espaço de construção de comunidades a partir do compartilhamento de conhecimentos e à produção de saberes contra-hegemônicos. Os caminhos desenhados pela Brava passam por cursos, oficinas, aulões, rodas de conversa e outras iniciativas educacionais, centradas em discussões sobre raça, classe, sexualidade, gênero, colonialidade e pela formação de um pensamento crítico no geral, idealizadas e facilitadas por sujeites que moldam suas vozes a partir do enfrentamento à esses sistemas.
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