15 jul - 2025 • 19:00 > 15 jul - 2025 • 21:00
15 jul - 2025 • 19:00 > 15 jul - 2025 • 21:00
SOBRE:
Em um mundo de linguagem, a pior morte em vida é o silenciamento e a incapacidade de falar sobre si. Assim, a possibilidade de dizer é reconhecer nosso corpo no mundo, assim como a escuta é uma sensibilidade que produz saúde. Em um cenário de invisibilização sócio-histórica da comunidade transmasculina, de nossas vozes e histórias (PALHANO; TENÓRIO, 2022), há um dever político que o campo da Saúde Coletiva deveria se responsabilizar: a escuta e o cuidado diante da fragilidade de saúde transmasculina.
Em uma pesquisa que realizei em dois repositórios acadêmicos, os temas que mais aparecem na área da saúde relacionado aos corpos transmasculinos são: pré-natal, gravidez e puerpério (11); acesso à saúde (9); racismo (2); efeitos da transfobia na saúde (1); efeitos da covid-19 (1); relações afetivo-sexuais (1); corpo e teoria queer (1); e esporte (1). A marca majoritária dessas pesquisas é a hegemonia científica cisgênera que nos coloca no lugar de objetos de pesquisa, que têm suas vozes mediadas por um outro. Da mesma forma, os temas de interesse desses pesquisadores e pesquisadoras dependem de sua boa vontade ou da objetificação sobre nossos corpos exotizados. Dentro das poucas pesquisas, há um silêncio profundo sobre o tema da saúde mental. Ao acompanhar frequentemente amigues e conhecides adoecendo psicologicamente e, em alguns casos, sendo suicidados, me pergunto: onde está a saúde mental de pessoas transmasculinas no campo da Saúde Coletiva?
Cerca de 94,5% das pessoas transmasculinas se sentiram deprimidas em algum momento da vida, em oposição a cerca de 20% da população mundial. Dentre as pessoas transmasculinas que experienciaram depressão, 66,4% apresentaram ideação suicida. Com relação ao suicídio, 41,5% tentaram pelo menos uma vez, e 21,4% tentaram mais de cinco vezes (BEZERRA et al., 2018). Para além de dados demográficos, essas são histórias de carne e osso contadas por sujeitos que não têm suas vozes escutadas. Nas palavras de Esteban Rodrigues (SANTANA; PEÇANHA; CONCEIÇÃO, 2023): “é fácil reconhecer os meninos que choram sozinhos porque querem continuar vivos.”
Por isso, escutar é uma aposta na produção de saúde: é construir a possibilidade de se reconhecer de forma digna no mundo, assim como legitimar as múltiplas e complexas formas de ser. Por mais que reivindicar um corpo transmasculino no mundo em que vivemos não seja uma tarefa simples, carrega consigo uma saúde imensa. Na perspectiva de Canguilhem, ao distorcer as noções de normal e patológico, a verdadeira patologia é não poder viver a singularidade da vida - isso é o que adoece. O sofrimento mental não diz apenas sobre uma pulsão em direção à morte, mas sim, na verdade, o embarreiramento da elaboração de formas de produção da vida.
Portanto, em contraposição, a verdadeira saúde é aquela que respeita a propriedade intrínseca e exclusiva da vida: a capacidade de instaurar formas e tecnologias singulares de existir que fazem sentido para si e para a manutenção da vida em relação com o meio. Essa é a normatividade vital. Assim, a saúde é a capacidade de operar novas normas para si sempre que isto se fizer necessário para a preservação ou ampliação do estado de saúde. Nesse sentido, são os próprios processos de silenciamento e controle de nossas identidades que produzem a sensação de vida contrariada e causam adoecimento biopsicossocial, na mesma medida em que cerceiam nossas possibilidades de estar no mundo. Por outro lado, as identidades transmasculinas operam constantemente um exercício de normatividade vital, aquela que diz respeito à plasticidade da vida.
A partir da discussão do contexto sócio-político-epistemológico e da fundamentação teórica acionada, este curso pretende a construção de um espaço de elaboração coletiva sobre tecnologias de cuidado transmasculinas próprias e compartilhadas que exploram a potencialidade de nossas normatividades vitais e capacidade de produzir saúde, à revelia da violência.
IDEALIZAÇÃO E FACILITAÇÃO:
Nicolas Pustilnick é uma pessoa transmasculina, psicólogo (CRP 05/71942) formado na UFRJ, mestrando em Saúde Coletiva pelo IMS/UERJ, especializando em "Atendimento Clínico das Diversidades Sexuais e de Gênero" pelo IPPERG/FAUSP, co-fundador da Revista Estudos Transviades, já foi colaborador do CRP-RJ no eixo "Gênero e Diversidade" e é co-organizador do livro "Corpos Transitórios: Narrativas Transmasculinas" e "Estudos Transviades: Masculinidades Outras".
INFORMAÇÕES:
Data e horário: 15/07 das 19h às 21h
Valores conscientes, você paga o quanto pode no momento!
Opção 01 - Mínimo: R$30
Opção 02 - Intermediario: R$50
Opção 03 - Ideal: R$70
BOLSA INTEGRAL/PARCIAL: se você quer fazer este curso mas não dispõe de recursos financeiros no momento, mande a sua solicitação de bolsa através do seguinte formulário: https://forms.gle/4S8z62sTcsdr9tRV9
Curso online e ao vivo, via plataforma Zoom
Todas as aulas são gravadas e disponibilizadas para quem estiver inscrite (vídeo disponível no drive por um mês após a realização do curso)
Emissão de certificado de participação para quem assistir às aulas ao vivo.
Classificação indicativa: 18 anos
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BRAVA
Um espaço de construção de comunidades a partir do compartilhamento de conhecimentos e à produção de saberes contra-hegemônicos. Os caminhos desenhados pela Brava passam por cursos, oficinas, aulões, rodas de conversa e outras iniciativas educacionais, centradas em discussões sobre raça, classe, sexualidade, gênero, colonialidade e pela formação de um pensamento crítico no geral, idealizadas e facilitadas por sujeites que moldam suas vozes a partir do enfrentamento à esses sistemas.
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