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A Era do Capitalismo Quântico

20 mai - 2026 • 15:30 > 09 set - 2026 • 19:00

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A Era do Capitalismo Quântico

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Descrição do evento

Vivemos um momento histórico singular. Não se trata apenas de mais uma crise cíclica do capitalismo, mas de uma inflexão qualitativa no próprio metabolismo social do capital. O que está em jogo, no século XXI, é a transformação das determinações fundamentais que, desde Karl Marx, definiram o modo de produção capitalista: trabalho, valor, dinheiro, capital. Este curso parte do pressuposto de que tais categorias não apenas se desenvolvem — elas entram em crise, se desmedem e tendem à sua própria dissolução enquanto formas sociais historicamente determinadas.

A noção de “capitalismo quântico” — que orienta o título e o programa deste curso — não deve ser tomada como metáfora gratuita, mas como um conceito crítico destinado a apreender uma mutação estrutural. Assim como a física quântica revelou a instabilidade, a indeterminação e a descontinuidade nos fundamentos da matéria, o capitalismo contemporâneo revela uma instabilidade análoga no plano das relações sociais mediadas pelo valor. O capital, enquanto sujeito automático, torna-se cada vez mais dissociado de suas bases substanciais, isto é, do trabalho vivo, ao mesmo tempo em que amplia sua dominação sobre o conjunto da vida social.

O curso se organiza a partir de três teses fundamentais, que funcionam como eixos de investigação teórica.

A primeira tese sustenta que a crise estrutural do capital se aprofunda nas condições históricas em que a produtividade do trabalho realizou um verdadeiro “salto mortal”, aproximando-se de um limite interno: a plenitude do trabalho abstrato. Este processo exacerba a dialética entre valor e antivalor. Quanto mais o capital desenvolve as forças produtivas — reduzindo o tempo de trabalho necessário —, mais corrói a própria substância do valor, que depende precisamente desse tempo de trabalho. Temos, assim, uma contradição em processo de intensificação: o capital precisa negar aquilo que o constitui.

A segunda tese afirma que esse processo inaugura o que denominamos capitalismo quântico, ou capitalismo do “salto mortal” da produtividade do trabalho. Nesse novo patamar histórico, as determinações “de fundo” do modo de produção capitalista — força de trabalho e capital — são profundamente transtornadas. A força de trabalho torna-se cada vez mais supérflua relativamente à valorização, enquanto o capital se autonomiza sob formas cada vez mais fictícias. Instaura-se, assim, a era do hiperfetichismo: não apenas as relações sociais aparecem como coisas, mas as próprias formas do capital se tornam espectrais, desligadas de qualquer lastro imediato na produção de valor. O domínio do capital fictício — finanças, derivativos, ativos intangíveis — expressa essa autonomização extrema.

A terceira tese radicaliza essa análise ao afirmar que estamos diante de uma “negação” da lei do valor. Não se trata de sua abolição consciente, mas de sua corrosão imanente. A lei do valor continua operando, mas de forma cada vez mais contraditória, instável e “desmedida”. O resultado é um processo de dissolução das determinações estruturais da relação-valor enquanto forma social. O valor não desaparece — ele se hipertrofia, perde medida, torna-se excesso. É nesse sentido que falamos em desmedida do valor: uma expansão sem lastro, que “desmancha” as formas clássicas da economia política.

A partir dessas teses, o curso percorre um conjunto articulado de problemas. Inicialmente, examinamos o capitalismo global como limite histórico da forma-valor, destacando o caráter senil da relação-valor. Em seguida, analisamos o desmonte das determinações estruturais do capital, evidenciando como o próprio processo de valorização conduz à sua crise. A discussão sobre a desmedida do valor e o antivalor permite compreender o surgimento de formas híbridas e os riscos de uma transição civilizacional marcada por instabilidade, barbárie e potencial emancipatório.

A proposta de pensar “aspectos quânticos” da crise — como superposição, entrelaçamento e incerteza — visa captar a coexistência de tendências contraditórias no capitalismo contemporâneo: crescimento e estagnação, valorização e desvalorização, integração e fragmentação. No plano geopolítico, investigamos as novas formas de imperialismo e a centralidade do antivalor. No plano da economia política, introduzimos a ideia de “acídia do capital”: uma espécie de esgotamento histórico do impulso civilizatório burguês, que se manifesta como incapacidade de dar sentido e direção ao desenvolvimento das forças produtivas.

Por fim, o curso se volta para o problema decisivo: as possibilidades da práxis. Se o capital dissolve suas próprias bases, ele também cria as condições objetivas para sua superação. Mas tais possibilidades não se realizam automaticamente. Elas exigem mediação política, organização e consciência — aquilo que Antonio Gramsci chamou de construção de uma vontade coletiva nacional-popular. É nesse terreno que se colocam os anseios de emancipação social.

Objetivos do curso

O objetivo central do curso é oferecer uma interpretação crítica e sistemática das transformações do capitalismo no século XXI, articulando a teoria marxiana do valor com a análise da crise estrutural contemporânea. Busca-se:

– Compreender a dinâmica do capitalismo global como limite histórico da forma-valor;
– Analisar o impacto do desenvolvimento das forças produtivas sobre a lei do valor;
– Investigar o papel do capital fictício e o fenômeno do hiperfetichismo;
– Desenvolver o conceito de capitalismo quântico como chave interpretativa da crise atual;
– Refletir sobre as implicações políticas e civilizacionais dessas transformações;
– Identificar as possibilidades históricas de superação do capitalismo a partir da práxis social.

Justificativa

A importância deste curso reside na necessidade de compreender um mundo em transformação acelerada, no qual as categorias tradicionais da economia política parecem perder sua capacidade explicativa imediata. A financeirização extrema, a automação, a digitalização e a centralidade dos ativos imateriais não são fenômenos superficiais: eles indicam uma mutação profunda na forma de reprodução do capital.

Sem uma teoria capaz de apreender essas mudanças, corremos o risco de permanecer presos a esquemas analíticos que já não correspondem à realidade histórica. Por outro lado, a ausência de compreensão crítica abre espaço para ideologias que naturalizam a crise ou a interpretam de forma fragmentária.

Este curso se justifica, portanto, como esforço teórico e político: compreender a crise estrutural do capital não é apenas um exercício acadêmico, mas uma condição para pensar a emancipação social no século XXI. Trata-se de retomar, em novas condições históricas, o projeto crítico inaugurado por Marx: não apenas interpretar o mundo, mas transformá-lo.

Módulos e Cronograma de Trabalho

Dia 20 de maio de 2026 - Apresentação Geral

Dia 3 de junho de 2026 -Introdução: As Teses do Capitalismo Quântico

Dia17 de junho de 2026 - Capitalismo Global como Limite da Forma-Valor

Dia 1 de julho de 2026 - A Senilidade da Relação-Valor

Dia 15 de julho de 2026 - A negação das determinações “de fundo” do modo de produção capitalista: Desmontando o Capital

Dia 29 de julho de 2026 - Desmedida do Valor e Anti-valor: Formas híbridas e riscos da Transição Civilizacional no Século XXI

Dia 12 de agosto de 2026 – Aspectos quânticos da Crise estrutural do Capital: superposição, entrelaçamento e incerteza

Dia 26 de agosto de 2026 – A Geopolítica do Capitalismo Quântico: Imperialismo e Anti-valor

Dia 9 de setembro de 2026 – A Economia Política do Capitalismo Quantico: A Acídia do Capital

Dia 9 – Possibilidades da Praxis e Anseios de Emancipação Social – a partir do terreno nacional-popular.


Metodologia de Trabalho:

Aulas expositivas quinzenais via Canal da RET no You Tube (2 horas/aula) - 19 às 20 horas - e Aula via Google Meet (2 horas-aula) no sábado seguinte a cada quarta-feira (das 17 às 19 horas


Inscritos receberão Certificado, Livro do Curso inédito (em pdf) e Acesso a um canal especial do Whats App para dúvidas e esclarecimentos

Política do evento

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Sobre o produtor

Giovanni Alves

Giovanni Alves é professor de sociologia da UNESP, coordenador da Rede de Estudos do Trabalho (RET) e do Projeto Tela Crítica (www.telacritica.net) e Projeto CineTrabalho (www.projetocinetrabalho.net).

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