O compositor Carlos A. Lopes volta a se apresentar no dia 5 de março, desta vez no Teatro Gamboa. No ano de 2025 Carlos retornou aos palcos após longo tempo e apresentações pontuais. O ano foi marcado também por um ensaio literário com o livro Expresso Ver de Trem e pela sua estreia no Festival Educadora, onde foi finalista com a música Orgânico Recôncavo. “A arte nunca nos abandona”, diz o escritor e compositor que volta a compartilhar o seu trabalho musical após a aposentadoria na UFBA, onde trabalhou por 36 anos.
Mergulhar no seu repertório é também uma imersão em experiências ligadas à cidade de Salvador, onde as vivências na defesa do meio ambiente sempre ativou inspirações, a exemplo da canção “Prece ao rio Subaé”, uma música que revela os seus vínculos com a natureza, com a cidade e o seu entorno. Algumas das suas canções navegam pelo Recôncavo e seus laços orgânicos com tudo que navega pelas águas dos rios e da Baía de Todos os Santos. “O saveiro, o mar, o vento, a vela” abrem os versos numa melodia de ares flamencos, como palavras necessárias à liberdade e ao convite para singrar nas águas da baía e dar um nome simbólico à canção que descreve, literalmente, a relação entre tantos elementos: “Orgânico Recôncavo”. É dessa temática das águas que surgem referências às canções de Jobim, onde transitar pela Bossa-Nova é um dos gestos espontâneos no trabalho de Carlos A. Lopes.
O compositor e “a cidade, lugar tão bom de caminhar”, como diz na canção “Cidade Bossa-Nova”, nos dá mais uma evidência desse estilo no seu trabalho. Mas não apenas este, pois os sambas e outras modalidades rítmicas fazem parte do repertório. “Dizem que o samba deixa a gente mole, mas o coração que se embole” é parte do verso debochado presente na parceria com o irmão Antonio Alberto, um cientista da Medicina, mas também um eterno apaixonado pela MPB. O repertório do show, de 15 canções, tem como base o trabalho apresentado em janeiro de 2025 no Teatro Cambará (Casa Rosa). Na direção musical, mais uma vez Duarte Velloso e a presença indispensável do seu violão. E para completar a formação, o flautista Kiko Souza e o percussionista Marcelo Pinho.