08 set - 2026 • 19:00 > 09 nov - 2026 • 21:00
08 set - 2026 • 19:00 > 09 nov - 2026 • 21:00
O Instituto Ling lança a formação Das Máquinas de Ver à Inteligência Artificial: arte, tecnologia e transformações do olhar, sob curadoria da artista e professora Giselle Beiguelman.
O que as máquinas veem? Como os algoritmos aprendem? Quem decide o que será lembrado, compartilhado ou esquecido? Em um momento em que sistemas de inteligência artificial produzem imagens, textos e sons, esta formação convida a investigar como chegamos até aqui. Da videoarte aos sistemas algorítmicos contemporâneos, percorreremos a história das imagens e das mídias para compreender como arte, tecnologia e cultura moldam nossa maneira de perceber o mundo. Entre arquivos, redes, avatares, plataformas e inteligências artificiais, exploraremos as disputas, tensões e possibilidades da cultura digital, conectando transformações históricas a questões urgentes do presente, como memória, dados, autoria, vigilância e criação.
A formação será composta por oito encontros online, entre os dias 8 de setembro e 9 de novembro de 2026. A abertura ocorrerá com uma aula magna no dia 8 de setembro (terça-feira), das 19h às 21h. Os demais encontros serão realizados sempre às segundas-feiras, das 19h às 21h. Os encontros contarão com a mediação de Paula Martini, pesquisadora, futurista, curadora e palestrante, promovendo o diálogo entre os convidados e os participantes ao longo da formação.
As inscrições são gratuitas. Para obter o certificado, é necessário participar de, no mínimo, 70% da formação, o que corresponde à presença em 6 encontros.
Acessibilidade: todas as aulas contarão com interpretação em Libras.
Histórico da formação em Arte e Tecnologia:
Desde 2021, o Instituto Ling promove formações dedicadas à reflexão sobre arte, cultura digital e tecnologia, reunindo pesquisadores, artistas e instituições de referência no campo. Ao longo de quatro edições, a iniciativa explorou diferentes perspectivas e pesquisas sobre os impactos das transformações tecnológicas na criação artística e na sociedade.
A primeira edição aconteceu em 2021, em colaboração com o Tecnopuc/PUCRS. A segunda, em 2023, foi realizada em parceria com o LAA/Museu do Amanhã. Já a terceira edição, em 2024, ocorreu em conjunto com o Instituto Cultural Torus, sob curadoria de Laura Cattani e Munir Klamt. Em 2025, a quarta formação foi realizada em parceria com a Fundação Itaú e o #24.ART.
Sobre a curadora:
Giselle Beiguelman é artista e professora da FAU-USP. Pesquisa acervos e métodos de preservação de arquivos nato-digitais, arte e ativismo na cidade em rede e as estéticas da memória no século 21. É coordenadora do Projeto Temático Fapesp Acervos Digitais e Pesquisa: arte, arquitetura e design e autora de Políticas da imagem: vigilância e resistência na dadosfera (UBU Editora, 2021; 2a ed. 2023) e Memória da amnésia: políticas do esquecimento (Edições Sesc, 2019), entre outros. Suas obras artísticas integram acervos de museus no Brasil e no exterior, como ZKM (Alemanha), Jewish Museum Berlin, MAC-USP e Pinacoteca de São Paulo. Em seus projetos recentes investiga a construção do imaginário colonialista das artes e das ciências com recursos de Inteligência Artificial. Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais.
Sobre a mediadora:
Paula Martini é pesquisadora transdisciplinar, futurista, curadora, educadora e palestrante pela apropriação crítica das tecnologias digitais. Especialista em tecnologia e sociedade desde 2005. Ex-Head de Inovação do Museu do Amanhã, ex-Head de Conteúdo Estratégico do Rock in Rio e sócia-fundadora da Martinica Digital. Foi curadora da Rio Innovation Week, atuou no Creative Commons e no CTS/FGV Rio. Fundou a Internet das Pessoas em 2020. É especializada em Futurismo e Novas Economias e em Design para Sustentabilidade.
Programação completa:
Aula Magna – 08 de setembro, terça-feira, das 19h às 21h
Heranças do Futuro: arte, tecnologia e os regimes da imagem, com Giselle Beiguelman
O que há de realmente novo na inteligência artificial? E o que ela herda de tecnologias que já transformaram nossa forma de ver, lembrar e compreender o mundo? A aula investiga essas questões a partir da história das imagens, dos arquivos e dos dados, explorando as continuidades e transformações que conectam a IA a tecnologias e imaginários anteriores. Em diálogo com a arte contemporânea, discutiremos como diferentes tecnologias moldam aquilo que conhecemos, valorizamos e tornamos visível, situando a inteligência artificial em uma trajetória histórica mais ampla e refletindo sobre seus impactos culturais, sociais e políticos.
Aula 1 - 14 de setembro, segunda-feira, das 19h às 21h
Quando as Máquinas Começaram a Ver, com Ivana Bentes
Como as tecnologias de imagem transformaram nossa forma de ver e compreender o mundo? Da videoarte às atuais culturas de produção de conteúdo, esta aula percorre experiências artísticas que exploraram câmeras, vídeos e mídias audiovisuais como ferramentas de invenção e crítica. Ao longo desse percurso, discutiremos como artistas reinventaram tecnologias originalmente voltadas à comunicação e ao entretenimento, questionando os limites entre registro, representação e criação.
Ivana Bentes é pesquisadora, curadora e professora titular da Escola de Comunicação da UFRJ. Referência nos estudos sobre cultura digital, audiovisual e redes, investiga as relações entre tecnologia, comunicação, arte e política na contemporaneidade. Foi diretora da ECO-UFRJ, Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura e coordena iniciativas voltadas à cultura digital e à inovação cidadã. É autora de livros como Avatar: o Futuro do Cinema e a Ecologia das Imagens Digitais e Mídia-Multidão: estéticas da comunicação e biopolíticas.
Aula 2 – 21 de setembro, segunda-feira, das 19h às 21h
Arquivar o Mundo: Memória, Dados e Poder, com Lucas Bambozzi e Priscila Arantes
Arquivos, bancos de dados, plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial não apenas registram o mundo: eles definem o que pode ser visto, lembrado e valorizado. Partindo de exemplos da arte contemporânea e da cultura digital, a aula examina como tecnologias de armazenamento e classificação moldam memórias coletivas, definem o que ganha visibilidade e influenciam a construção de narrativas sobre o passado e o presente. Ao explorar tanto os mecanismos de poder inscritos nessas infraestruturas quanto práticas artísticas que os questionam, o encontro convida a refletir sobre as disputas em torno da memória e sobre os futuros que estamos aprendendo a imaginar.
Lucas Bambozzi é artista multimídia, com trabalhos exibidos em mais de 40 países. Desde os anos 90 explora novas possibilidades de arte envolvendo meios de comunicação, tendo sido um dos iniciadores do Festival arte.mov e curador dos projetos Labmovel, Multitude, Visualismo, AVXLab e MOLA. Possui Mphil pela universidade de Plymouth, Inglaterra e é doutor em Ciências pela FAUUSP. É professor na FAAP e em cursos livres.
Priscila Arantes é pesquisadora, curadora, crítica de arte e professora da PUC-SP, onde coordena o Programa de Pós-Graduação em Artes e Práticas Culturais. Atua nas intersecções entre arte, tecnologia, memória, cultura digital e inteligência artificial. Foi diretora do Paço das Artes e do MIS-SP, realizou pós-doutorado na Penn State University e é autora de livros como Arte e Mídia: Perspectivas da Estética Digital e Reescrituras da Arte Contemporânea. Recebeu o Prêmio Gonzaga Duque da ABCA.
Aula 3 – 28 de setembro, segunda-feira, das 19h às 21h
A Internet Morreu? Arte, Redes e Plataformas, com Fabio Fon e Larissa Macedo
A internet ainda é um espaço livre para criação e experimentação? A partir dessa questão, a aula investiga como artistas utilizam linguagens, ferramentas e dinâmicas das redes digitais para produzir e compartilhar trabalhos. Também serão discutidas as transformações provocadas pelas plataformas digitais na circulação da cultura, bem como questões relacionadas à vigilância, aos algoritmos e aos vieses que influenciam o que vemos, produzimos e compartilhamos online.
Fabio FON (Fábio Oliveira Nunes) é artista-pesquisador, doutor em artes na ECA-USP com pós-doutorado em artes no IA-UNESP e mestre em multimeios no IA-UNICAMP. É autor dos livros “CTRL+ART+DEL: distúrbios em arte e tecnologia” (Ed. Perspectiva, 2010) e “Mentira de artista: arte (e tecnologia) que nos engana para repensarmos o mundo” (Cosmogonias Elétricas, 2016). Desde 2000, mantém pesquisa sobre arte da Internet por artistas brasileiros, através do site Web Arte no Brasil.
Larissa Macedo é professora, artista, curadora e doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Seu trabalho se concentra nas interseccionalidades entre IA, redes sociais, práticas artísticas e curatoriais ativistas, e nas políticas de visibilidade em ambientes digitais, com foco em raça, gênero e territorialidades. É cofundadora da plataforma <ater>, que promove ações relacionadas às artes e às tecnologias a partir de uma perspectiva negra e contracolonial. Leciona nos cursos de Artes Visuais, Licenciatura em Artes e Comunicação Social do Centro Universitário Belas Artes (FEBASP).
Aula 4 – 05 de outubro, segunda-feira, das 19h às 21h
Habitar Mundos: Games, Imersão e Realidades Sintéticas, com Renata Gomes
Dos videogames aos ambientes virtuais imersivos, esta aula explora os games como uma linguagem artística capaz de criar mundos, produzir experiências de presença e expandir formas de interação. A partir dos avatares e das dinâmicas de construção de identidade nos ambientes digitais, discutiremos como a imaginação tecnológica transforma as relações entre corpo, cultura e virtualidade, abordando também o papel da Inteligência Artificial na criação e evolução desses universos ao longo da história dos games.
Renata Gomes é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com pesquisa sobre videogames premiada pela Capes. Formada em Comunicação Social pela UFC e especialista em edição pela NYU, é professora do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas da UFRB. Realiza pós-doutorado na Universidade de Coimbra e na UFBA, investigando os mecanismos semióticos da desinformação bolsonarista.
Aula 5 – 19 de outubro, segunda-feira, das 19h às 21h
Copiar, Remixar, Recombinar: arte, audiovisual e cultura digital, com Marcus Bastos
Os sentidos da cópia e da autoria mudaram profundamente ao longo da história, da valorização da imitação na Antiguidade às atuais ferramentas de inteligência artificial, capazes de aprender e gerar conteúdo a partir de grandes volumes de dados. Esta aula explora essas transformações no campo da arte e do audiovisual, com foco em práticas como sampling, remix e apropriação. A partir da cultura digital, em que copiar, recortar, colar e recombinar conteúdos se tornaram ações cotidianas, discutiremos como imagens, sons e textos circulam e são ressignificados em contextos diversos, da música aos memes. Por fim, refletiremos sobre as relações entre essas práticas e a inteligência artificial, entendida como uma tecnologia que também opera por meio da recombinação de referências.
Marcus Bastos é Livre Docente em Comunicação e Artes pela PUC-SP, onde é professor. É autor e organizador de livros e artigos na área de arte contemporânea, com foco no diálogo entre linguagem e mídias emergentes, como Arte, memória e mídia (2024) e Pontes, janelas, máscaras, vírus (2023). Foi curador de várias exposições e festivais voltados para este universo, como Realidades e Simulacros (MAM-SP, 2023), PerformAR Circuitos (Galpão Cru, 2022), entre outras.
Aula 6 – 26 de outubro, segunda-feira, das 19h às 21h
Erros, falhas e perturbações na Cultura Digital, com André Lemos
O que os erros das tecnologias digitais podem nos ensinar sobre seu funcionamento? Esta aula investiga como falhas, ruídos e instabilidades tornam visíveis os limites, vieses e impactos dos sistemas digitais. Serão discutidas as relações entre inteligência artificial, arte, cultura digital e crise ecológica, observando como essas tecnologias afetam a vida social e o meio ambiente.
André Lemos é escritor, doutor em Sociologia pela Université René Descartes (Sorbonne, Paris V) e professor titular da Faculdade de Comunicação da UFBA. Coordena o Lab404 e atua em programas de pós-graduação na UFBA, UFRB e PUC-SP. Membro da Academia de Ciências da Bahia, do IPIE e pesquisador 1A do CNPq, é referência nos estudos sobre cultura digital, cibercultura, redes e tecnologia, com diversos livros publicados no Brasil e no exterior.
Aula 7 – 09 de novembro, segunda-feira, das 19h às 21h
Inteligência Artificial: quem cria, quem trabalha e quem aparece, com Guilherme Bretas e Mayara Ferrão
Quem é autor quando uma inteligência artificial cria uma imagem, um texto ou uma música? A aula discute as disputas sobre autoria e trabalho na era da IA, destacando os dados, as pessoas e as infraestruturas que sustentam esses sistemas. Também aborda os impactos dos vieses e do racismo algorítmico, além de estratégias artísticas que questionam e enfrentam as desigualdades produzidas pelas tecnologias digitais.
Guilherme Bretas é artista visual e arquiteto formado pela FAUUSP. Sua prática articula identidade, memória negra e fotografia histórica por meio de investigações que cruzam espacialidade, videomapping e inteligência artificial. Participou de exposições como Memórias de um Povo (MUHCAB) e a Trienal FRESTAS (SESC Sorocaba), em 2026. Indicado ao Prêmio PIPA em 2023, foi curador de TEBAS: uma pedra no chão (MuBE) e tem obras em acervos como os do Instituto PIPA, IfA e Sertão Negro.
Mayara Ferrão é artista visual formada pela Universidade Federal da Bahia. Seu trabalho atravessa a fotografia, ilustração, pintura, direção criativa e de cena, incorporando tecnologias de imagem, inteligência artificial e vídeo para criar e compartilhar narrativas de corpos negros, originários e dissidentes.
Esta programação é uma realização do Instituto Ling e Ministério da Cultura/Governo Federal, com patrocínio da Crown Embalagens.
PRONAC 254634
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